lunes, 21 de enero de 2013

RELACIONES COMERCIALES BRASIL EUA 2013


 Diálogo do Brasil com Obama( 2do Periodo Presidencial) 2013-2017

DA BBC BRASIL
A agenda da relação Brasil-Estados Unidos no segundo mandato de Barack Obama deve ser menos política e mais pragmática, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, para quem o foco dessa agenda seriam temas econômicos, como comércio e investimentos.
Isso não quer dizer que haveria uma grande estratégia bilateral nessa área. Mas há, por um lado, alguns contenciosos que devem ser enfrentados. Por outro, negociações que podem ajudar a promover investimentos ou facilitar o fluxo de turistas e empresários entre os dois países --para mencionar alguns exemplos.
"Há alguns anos, a maior aspiração do Brasil era conseguir o apoio dos EUA para sua entrada no Conselho de Segurança da ONU e o país era assertivo nessa busca. Os EUA, por sua vez, também pareciam preocupados em tentar evitar que o Brasil usasse os BRICs para minar sua influência em fóruns internacionais", diz Diego Bonomo, diretor para políticas públicas da seção americana do Conselho Empresarial Brasil-EUA, ligado à Câmara de Comércio americana.
"Com Dilma e Obama no poder, essa pauta política parece ter perdido importância relativa e há cada vez mais esforços para se avançar em temas como comércio e investimentos. Até porque, com a crise global, a economia se tornou-se um tema essencial para os dois governos."
É claro que também há tensões na área econômica, como as mútuas acusações sobre a adoção de práticas protecionistas ilegais.
"Mas nos últimos anos houve uma normalização das relações dos Estados Unidos com o Brasil e também o resto da América Latina. Grandes temas políticos perderam espaço para uma ação mais pragmática - tendência que deve se consolidar no segundo mandato de Obama", diz Luis Fernando Ayerbe, Coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Unesp.
COMÉRCIO
Apesar de os americanos terem perdido para os chineses o posto de principal parceiro comercial do Brasil, o comércio bilateral cresceu 120% na última década, chegando a US$ 60 bilhões em 2012. Os Estados Unidos também lideram a lista dos estoques de investimentos no Brasil, com US$ 104,7 bilhões, segundo o Banco Central. E recentemente teria havido uma diversificação dos investimentos da indústria para serviços e agricultura de acordo com Bonomo.
"É possível que temas políticos voltem a ganhar relevância. Por exemplo, no caso de uma crise grave na Venezuela levar o Brasil e os EUA a adotarem posturas opostas, ou de Brasília tomar uma posição que incomode muito Washington em temas envolvendo a Síria ou o Irã", opina Peter Hakim, presidente do Inter-American Dialogue.
Já Anthony Pereira, diretor do Instituto Brasil da King's College London, acredita que, ao menos no que diz respeito a América Latina, a postura mais pragmática e "multilateral" de Obama pode ter ajudado a esvaziar com rapidez contenciosos políticos no primeiro mandato --e nada leva a crer que isso mudará nos próximos anos.
"Pode-se dizer que Obama teve um primeiro mandato bem razoável pelo que não fez na América Latina: ao não adotar uma postura intervencionista, ele evitou a escalada de temas que geram dissidência na região e opõem os Estados Unidos ao Brasil", diz Pereira.
Com a ajuda desses quatro especialistas, a BBC Brasil elaborou uma lista de cinco temas que devem marcar a agenda bilateral Estados Unidos-Brasil - seja porque há perspectivas de avanços na cooperação, seja pela presença de desafios a serem enfrentados.
Confira a lista abaixo:
1) Contencioso do algodão:
Trata-se de uma disputa pendente entre o Brasil e os EUA na OMC (Organização Mundial do Comércio). O Brasil ganhou o direito de retaliar os americanos em quase US$ 830 milhões por subsídios fornecidos por seu governo a produtores de algodão.
Em 2010, foi feito um acordo temporário que incluiu o pagamento pelos EUA de US$ 147 milhões a um fundo de apoio a produtores brasileiros. A expectativa era que a nova Lei Agrícola americana fosse aprovada no Congresso em 2012, corrigindo os subsídios.
Como isso ainda não ocorreu, esse é um dos temas que o Brasil deve acompanhar de perto nesse início do segundo mandato de Obama.
O governo brasileiro tem discutido a possibilidade de retaliação. Poderia, por exemplo, sobretaxar mais de cem produtos americanos ou suspender patentes farmacêuticas e direitos autorais. Mas as relações ficariam desgastadas.
"Vale ressaltar, porém, que esse é o único contencioso ainda aberto com o Brasil. Com a China, por exemplo, desde 2008, os EUA abriram 16 disputas comerciais.", diz Bonomo.
2) Cooperação educacional:
Com um problema crescente de falta de mão de obra especializada e níveis de investimento em pesquisa e desenvolvimento decepcionantes, o Brasil tem interesse em fazer da cooperação nas áreas de educação e pesquisa uma das prioridades nas relações com os EUA.
Hoje, 800 brasileiros estudam nos EUA como parte do programa Ciência Sem Fronteiras, do governo federal, que concede bolsa a esses alunos. E promover o programa foi um dos objetivos da presidente Dilma Rousseff em sua visita aos país, no ano passado.
A ideia é que nos próximos anos 20 mil brasileiros passem pelas universidades do país financiados pelo Ciências sem Fronteira. E esquemas de cooperação devem permitir que alguns estudantes trabalhem em empresas e laboratórios de pesquisa americanos.
Além disso em maio de 2011, Obama anunciou um programa similar no qual pretende enviar 100 mil alunos americanos para estudar nos países latino-americanos.
3) Vistos para turismo e negócios:
Animados com o aumento dos gastos de turistas brasileiros em cidades americanas, os EUA concordaram com a criação de um grupo de trabalho que deve analisar o fim da necessidade de visto para brasileiros que vão ao país a turismo ou negócios. Seguindo o princípio da reciprocidade, o Brasil faria o mesmo, eliminando os vistos para americanos.
As exigências americanas são muitas --o Brasil tem, por exemplo, de criar um sistema para reportar de forma eficiente o extravio de passaportes e reforçar a segurança nas fronteiras.
Mas nos últimos dois anos, já foram feitas reformas para ao menos facilitar a concessão do visto, reduzindo o tamanho das filas e o tempo necessário para completar o processo.
Os EUA também anunciaram a criação de dois consulados, em Belo Horizonte e em Porto Alegre - e mais melhorias podem ser anunciadas nessa área.
Para os americanos, seria de grande interesse uma simplificação do processo de visto de trabalho para estrangeiros - uma necessidade das empresas dos Estados Unidos que atuam no Brasil.
4) Mercado de etanol
O projeto para o desenvolvimento de um mercado global de etanol, lançado ainda no governo George W. Bush (2001-2009), perdeu algum lustre diante da descoberta do pré-sal brasileiro e dos planos para a exploração das reservas de gás de xisto nos EUA, como explicam Pereira e Ayerbe.
Mas essa ainda é uma área de grande potencial para a cooperação bilateral no segundo mandato de Obama. Até porque o mercado dos Estados Unidos também caminha para a mistura de etanol à gasolina.
Os EUA derrubaram as barreiras para a entrada de etanol estrangeiro no país em 2011 --uma antiga demanda do Brasil. Nos últimos dois anos, porém, foi o Brasil quem teve de importar etanol americano em função da queda da produção no país (nos últimos anos, fatores como os baixos preços da gasolina funcionaram como um desestímulo a produtores).
Além das trocas comerciais, há projetos de cooperação na área de pesquisa sobre biocombustíveis, para o desenvolvimento de centros de produção em outros países e para a normatização dos padrões técnicos do etanol dos Estados Unidos e do Brasil.
5) Acordo para evitar a dupla tributação:
Empresas que operam nos EUA e no Brasil têm de pagar imposto nos dois países e empresários pedem um acordo para evitar essa bitributação, facilitando a remessa de lucros e royalties.
Os EUA condicionaram a negociação a aprovação de um acordo sobre troca de informações tributárias. Esse acordo foi assinado em 2007, mas ainda não foi aprovado pelo Congresso brasileiro, onde alguns parlamentares argumentam que ele feriria o dispositivo que garante o sigilo bancário no Brasil.
Neste ano, porém, entra em vigor nos EUA uma lei exigindo que todo o banco que atua no país deve enviar para a Receita informações sobre investimentos e recursos mantidos por cidadãos americanos no exterior.
Na prática, os EUA vão impor a troca de informações tributárias --ainda que em uma única via-- o que poderia ajudar a destravar as negociações do acordo sobre bitributação, segundo Bonomo.
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domingo, 23 de diciembre de 2012

INDICADORES ECONOMICOS DE BRASIL Y VENEZUELA

INDICADORES ECONOMICOS AÑO 2011


BRASIL : 
Inflacion…6,54% 
Tasa de cambio … R1,75/ US$ 
PIB US$ … ..2.518 mil de millones
Exportac Total US$ 256,04 mil millones
Importac Total US$ 226,25 mil millones
Reservas BCB US$ 352 mil millones
Tasa de interes …….11% (aa) 
Inversiones Extran US$ 66,6 mil millones 
Comercio Bilateral US$ 5,7 mil millones
Importac Venez US$ 4,5 mil millones 
Exportac Venez pBrasil US$ 1,2 mil millones

VENEZUELA : 

INDICADORES ECONOMICOS AÑO 2011 :
Inflacao …. 27,6% 
Taxa de cambio….Bs 4,30 /Dólar ( oficial)
PIB US$ …… 296,4 mil milhoes
Export US$…. 89,3 mil milhoes
Importaciones US$ 45,6 mil milhoes
Reservas Intern.US$ 29,8 mil milhoes
Tasa de juros 14,5 %(aa)
Invers Estrangeiras 5,3 mil milhoes de dolares US
Comercio Bilateral US$ 5,7 mil milhoes

jueves, 13 de diciembre de 2012

AJUSTES DE LA ECONOMIA BRASILEÑA 2012 Y ENTRADAS DE INVERSIONES HASTA OCTUBRE DE 2012 : 63 MILLARDOS DE EUROS

La presidenta de Brasil, Dilma Rousseff, considera que Brasil pasa por etapa de transición con una serie de ajustes para adaptarse a la crisis internacional.Aseguró que próximo año habrá una recuperación del 4%

"La crisis internacional provocó una ralentización de la economía brasileña en 2011. Hemos tenido que adoptar medidas estructurales como la reducción de los tipos de interés", lo que ha supuesto "cambios de rentabilidad", señaló Rousseff en una entrevista publicada hoy por el diario francés "Le Monde", con motivo de su visita oficial de dos días en Francia, que concluyó ayer.
Con la caída de la rentabilidad del capital -argumentó-, "el aumento de la inversión productiva todavía no compensa la baja de las inversiones financieras" y además "la devaluación artificial de las monedas de los países desarrollados" revalorizó el real brasileño y "ha sido perjudicial" para Brasil.
Según los cálculos de su Gobierno, la economía brasileña crecerá este año en torno al 1 %.
Frente a esa situación, insistió en su voluntad de "remontar los obstáculos al crecimiento con la reducción de cargas salariales, la expansión del crédito (sin burbujas), la devaluación de la moneda".
Señaló su objetivo de mejorar la competitividad porque aunque "no es un fin en sí", es condición para "un crecimiento acelerado capaz de continuar con la inclusión social y la ampliación del mercado.
A ese respecto, comentó que "la dimensión de nuestro mercado, las oportunidades en infraestructuras y la fuerza de nuestra industria explican que Brasil se haya convertido en uno de los principales destinos de la inversión extranjera", con 66.000 millones de euros el pasado año y 63.000 en los nueve primeros meses de 2012.
De su visita a Francia, la presidenta brasileña comentó los retos a los que se enfrenta Europa y dijo que aunque "el euro es una baza estratégica", eso "no dispensa de orientarse hacia los países emergentes, sobre todo los BRICS" (Brasil, Rusia, India, China y Sudáfrica), que son los que tiran de la economía global.
Afirmó que los BRICS "es la construcción de una voluntad política común" pese a las diferencias entre sus países, que en cualquier caso "han elevado el nivel de vida de sus sociedades y tienen la ambición de convertirse en países desarrollados".





LOS 7 PAISES LATINOAMERICANOS CON MAS RESERVAS SEGUN CEPAL- AÑO 2012

1- Brasil: 377.753 millones de dólares.
2- México: 165.690 millones de dólares.
3- Perú: 62.212 millones de dólares.
4- Argentina: 45.274 millones de dólares.
5- Chile: 38.943 millones de dólares.
6- Colombia: 36.402 millones de dólares.
7- Venezuela: 25.864 millones de dólares.



jueves, 6 de septiembre de 2012

BNDES PESSIMISTA NO BRASIL 2012

Pessimismo empresarial trava retomada, diz presidente do BNDES


O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, comemora o fato de não estar mais "solitário" dentro do governo na defesa de uma taxa cambial mais competitiva e insinua que o real poderia estar ainda mais desvalorizado.
Declara-se motivado com o fato de que o desafio de "salvar, revigorar, reindustrializar cadeias que perdemos" ter se tornado consenso no governo. "Fui solitário neste processo", disse em entrevista à Folha.
Ele atribui boa parte da estagnação da indústria ao fato de a moeda brasileira ter passado por "longos períodos" de valorização.
Cita especificamente os "últimos dois anos", período no qual o dólar chegou a ameaçar cair abaixo de R$ 1,50, quando diz ter vivido um "período de grande angústia". Conselheiro da presidente Dilma, Coutinho diz que o empresariado brasileiro é ciclotímico e está numa posição "muito mais pessimista" do que o potencial brasileiro justifica no momento.
Para ele, esse é um dos fatores para a demora na recuperação do crescimento. O empresariado "travou um pouco o investimento".
Ele evita fazer previsões sobre o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), mas diz que indústria começa a dar sinais de recuperação.
Classificando a era dos juros altos como uma "página virada" e nosso "último ato" a recuperação da "solidez cambial", Luciano Coutinho diz que o país tem, agora, dois desafios principais: a redução da carga tributária e a melhoria da competitividade e da produtividade.
Coutinho reconhece, porém, que a redução da carga tributária, "complexa e imperfeita", é difícil de ser implementada, por envolver disputas federativas.
No curto prazo, o governo vai atacar os "custos sistêmicos" do país, entre eles o de energia, afirma.
Responsável pelas ações do governo no financiamento de grandes projetos da economia, o presidente do BNDES aponta o setor de bens de capital como o que mais "sofreu" na indústria brasileira e anuncia que vai adotar medidas para revigorá-lo. Ressalva, porém, que serão estímulos progressivos. "É fácil, muito mais fácil destruir do que construir."
Rebatendo as críticas de que o governo Dilma está se limitando a medidas pontuais para combater a crise, Coutinho diz que são elas que permitem uma "transição" para a indústria "sobreviver" durante o período de turbulências. Reconhece, porém, que, apesar de serem "necessárias", não são "suficientes".
Segundo ele, o que o governo tem feito é dar "oxigênio" para "manter vivo" o setor de bens de capital durante o desaquecimento da economia brasileira. Diz, porém, que apesar de "um ou outro pequenininho" estar na UTI, não há problemas mais graves. "Problema eu tive em 2008 para 2009, aqui foi problema", quando a economia nacional entrou em recessão.
Leia trechos da entrevista. F
Folha - No momento em que o BNDES completa 60 anos, a indústria brasileira passa por um momento delicado, num quadro em que nossa economia não dá sinais de recuperação. Qual o papel do banco hoje?
LUCIANO COUTINHO - Não sei se é um momento delicado, acho que é rico em desafios positivos para o país. Tivemos mudanças qualitativas importantes na combinação câmbio e juros, uma redução real da taxa de juros, considerada alta demais diante dos bons fundamentos macroeconômicos.
Ficamos com uma herança de juros muito altos, mas isso está sendo corrigido, tirando proveito de uma janela de oportunidade que é a crise internacional.
Estamos caminhando firmemente para ter um patamar de juros condizente com nossa condição macroeconômica
O que é isso?
O Brasil é um dos poucos países que está reduzindo sua dívida líquida sobre o PIB, tem um superávit primário, caminhando para um déficit nominal muito baixinho. Um déficit nominal de 1%.
Todos os países desenvolvidos estão com deficit de 6%, 7%, 8% do PIB. Os europeus vão suar sangue para chegar a 5%, 6%.emos uma condição macroeconômica privilegiada, e isso vai se refletir numa taxa de juros mais baixa. O que abre caminho para uma grande mudança qualitativa em termos de desenvolvimento do sistema financeiro privado do país e do mercado de capitais.
Então, nós precisamos ter em perspectiva que temos, e repito sempre isso, uma fronteira de investimentos de alta rentabilidade, que será um fator de propulsão do crescimento brasileiro.
A combinação dessas duas grandes condições é que nos permitirá crescer, aumentar os investimentos em relação ao PIB, e crescer a taxas mais altas do que das taxas recentes. E essas taxas poderão ser tanto mais altas quanto mais capazes sejamos de enfrentar os dois grandes desafios que restam, que são estruturais. 
Quais? O desafio da competitividade e da produtividade. E o da estrutura tributária. São os dois desafios de longo prazo.
Por que ainda não enfrentamos de frente esses dois desafios? A taxa de câmbio passou dos R$ 2, os juros estão mais baixos, mas a confiança do empresário segue também muito baixa.
É verdade. Estamos falando de uma circunstância de curto prazo. Precisamos lembrar aqui duas coisas. Primeiro, o empresariado é muito ciclotímico. O mercado é ciclotímico em geral.
Ele vai para a euforia quando, em 2010, tínhamos um estado de euforia que ia além da realidade. Quando as coisas, especialmente com a crise internacional, são mais difíceis, o empresariado também cai numa posição muitas vezes mais pessimista do que o potencial brasileiro.
Ele está mais pessimista do que deveria estar?
Acho que sim. Está muito afetado pela conjuntura de curto prazo de um lado. De outro, aí é uma questão específica da indústria, tivemos muitos períodos de apreciação cambial.
Primeiro, foi o Plano Real, um período de cinco anos, até que ele se desfez da forma como foi concebido e foi para o sistema flutuante. Aí tivemos um período relativamente curto de câmbio mais favorável. Depois, veio um outro período, também longo, de contínua apreciação cambial, que vem de 2004 até a crise de 2008.
Houve uma breve interrupção e o sucesso brasileiro em vencer a crise levou de novo a um ciclo de apreciação. Esse mais recente.
Até 2010 e 2011.
Esse mais recente, até o ano passado, quando a política de redução de juros e a intervenção regulatória, de regulação do mercado cambial, via impostos, via IOF, mitigou a situação.
E a crise internacional também mudou de mão. Aí você conseguiu escapar de uma trajetória de apreciação cambial.
Agora, ao longo desses períodos, a indústria veio perdendo substância. Foi perdendo lentamente mercado no exterior, porque vários concorrentes se aparelharam, tomaram market share.
O México capturou nosso market share de manufaturados no mercado americano. Houve a tremenda expansão chinesa para todos os mercados de manufaturados. Esse movimento começou a induzir a um esvaziamento das nossas cadeias produtivas, com ampliação da importação de partes, de peças.
Esse processo tornou-se mais claramente percebido por todos nos últimos dois anos.u pessoalmente vivi um período de grande angústia com isso. Em muitos momentos eu fui solitário neste processo.
Foi um momento de críticas à política cambial do governo por parte do empresariado.
Eu fui solitário neste processo e acho que, depois, hoje, isso virou.
Aquele sentimento meu, que era solitário, virou um sentimento de todos. O que me deixa muito feliz, porque finalmente acho que sociedade brasileira e o empresariado brasileiro começam a compreender porque é tão relevante ter uma indústria forte e competitiva.
Porque a indústria é essencial hoje em nossa sociedade, não tanto para gerar empregos, porque a indústria cada vez mais eficiente vai para padrões de automação mais profundos, mas porque, nos serviços pré e pós-manufatura, ela cria empregos de alta qualificação.
Na pré-manufatura são serviços de engenharia, design, informatização, sistemas.
Depois, vêm os serviços pós, desde os de assistência até os de marketing, que só se cria quando você tem uma indústria.
O que o país ainda está devendo, ainda não está sendo resolvido, ficou para trás?
Ficou por conta de um conjunto de fatores. O câmbio apreciado.
Quais são os fatores?
Primeiro, a subida de uma série de custos sistêmicos, como o de energia na margem. Combinada com o aumento de carga tributária sobre os insumos em geral e sobre a energia também.

O Brasil passou de uma economia onde os custos sistêmicos eram competitivos, nos anos 70 e parte dos anos 80, para uma economia em que eles se tornaram altos.
De outro lado, tivemos um saudável processo, mais recente, do governo do presidente Lula, de aumento da taxa de crescimento do país.e processo, embora aquém do que todos gostaríamos que fosse, combinado com a transição demográfica brasileira, que fez reduzir o crescimento da população economicamente ativa, produziu um aumento muito saudável do emprego formal.
Num contexto em que a economia cresce e a taxa de desemprego cai, os salários reais sobem. O que é saudável, porque melhora a distribuição de renda no país.
O que ajuda a segurar a popularidade da presidente Dilma.

Por mérito do governo. Mas não quero discutir política. O fato é que isso afeta o custo da competitividade, há uma pressão sobre os custos sistêmicos e um aumento de custo de salário unitário.

Combinados com a apreciação da taxa de câmbio, provocaram uma pinça de esmagamento da rentabilidade da indústria, da taxa de retorno na atividade industrial, reduzindo sua competitividade.

Temos também um problema de produtividade, sim, especialmente do trabalho. O Brasil precisa subir rapidamente a produtividade do trabalho, ter uma agenda de reforço da automação para preservar a capacidade competitiva da indústria.

Temos um tremendo desafio, que é salvar, revigorar, reindustrializar cadeias que perdemos, de tal maneira que a indústria brasileira volte a ter um papel relevante na dinamização da economia brasileira. Eu me sinto muito motivado no momento em que a compreensão desse desafio começa a se tornar consensual.
Dentro do governo?
Na sociedade. Que é mais importante, porque agora há uma compreensão disso.

Por que estou motivado? Porque temos até uma cobrança, que até certo ponto é injusta, de que o governo só está atuando num plano tático, de medidas, quando na verdade a grande angústia é a compreensão de que os problemas são mais estruturais e precisamos de estratégias de longo prazo.

O que posso assegurar é que o governo está plenamente consciente desses grandes desafios.

Eu não mencionei, quando falei dos custos, um outro fator, que é a subida da carga tributária, que não é um fator de um governo, vem desde os anos 70.
À medida que foi subindo, tornou-se tecnicamente mais cumulativa, complexa e imperfeita. Foi ficando qualitativamente pior, não só maior como pior. O governo tem plena consciência de todos esses problemas e desafios estruturais, quais sejam, de ganhar competitividade, produtividade, reduzir a carga tributária, os custos sistêmicos, inclusive os de energia. Porém, a complexidade desses problemas é muito maior do que o manejo diário. Obviamente é uma questão complexa.
O sr. vê possibilidades de a reforma tributária avançar no curto prazo, já está em estudo no governo?
Há uma reflexão que está sendo feita a respeito de como começar. Não quero adiantar, mas há uma reflexão permanente sobre o melhor caminho.Agora, um pouco para responder à percepção de que nada está sendo feito, o que não é verdade, chamo a atenção primeiro para o fato de um dos grandes desafios brasileiros, que era o primeiro que o empresariado sempre colocava, os juros muito altos, esta é uma página que está sendo virada. Vamos fazer pouco disso? Não.

Segundo, a questão da chamada guerra dos portos. Uma batalha difícil foi enfrentada, outra página que está sendo virada, e que é fundamental para a questão da indústria. E a melhoria relativa da taxa de câmbio real.
Relativa, ainda?
Sim.
Ela deveria ser mais alta ainda?
Acho que a gente deve continuar com o sistema de câmbio flutuante, mas... Eu não quero dar um número, mas eu acho...
Poderia ser maior e seria melhor? 
Enfim, se fosse, melhor. Isso é uma coisa que nós temos que pensar em faixa, e não em números.

Seguinte, como os problemas estruturais são difíceis, gera uma ansiedade.

Temos de transformar essa ansiedade em uma consciência e uma criação de condições para enfrentar as questões estruturais. Porque as questões estruturais não podem ser enfrentadas só por governos.

São questões que demandam uma ampla consciência da sociedade, do Congresso Nacional, para poder enfrentar reformas mais profundas.
O sr. diria que as duas mudanças essenciais são o custo da energia e a reforma tributária?
Não só o custo da energia, mas o de vários insumos importantes, incluindo energia. A questão tributária e a da produtividade do trabalho.
E o desenvolvimento do mercado de capitais?
O desenvolvimento de mercado de capitais. O BNDES tem um papel importante em, primeiro, cumprir o papel clássico de suprir créditos, de longo prazo enquanto o mercado não se estrutura. Segundo, o BNDES tem de se preparar para esses novos grandes desafios do futuro.
Quando o sr. pensa na cadeia produtiva da indústria, qual foi a etapa que mais sofreu com essa crise recente, houve em algum setor um problema grave de desindustrialização?
Se olharmos com visão de prazo mais longo, quem sofreu mais? Foram os setores de bens de capital. O Brasil chegou a ter, no início dos anos 80, uma indústria de bens de capital muito mais importante. Ela veio perdendo substância. Perdemos empresas de setores importantes na área de equipamentos de telecomunicações, de eletrônica em geral, um pouco de indústria de informática, na área de farmacêutico e química. Aí, sim, tivemos um renascimento mais recente por causa do mercado de genéricos, mas perdemos muita substância. E permitimos um esvaziamento de valor agregado dentro da cadeia automotiva, que era muito integrada e começou a ficar uma indústria só de montagem final. Num período mais recente, algumas destas tendências se agravaram.

Um dos fatores que vamos preparar, num contexto de recuperação da nossa capacidade e da nossa densidade industrial, é um processo de revisão da política do BNDES da Finame, do financiamento de máquinas e equipamentos. Queremos induzir o fabricante a ganhar mais capacidade de agregar valor no país. Sabemos que, para reverter esse processo, no que toca a equipamentos e bens de capital, teremos de criar estímulos e fazer isso de uma maneira progressiva. É fácil, muito mais fácil destruir do que construir.
Leva quanto tempo?

Não sei exatamente, depende muito do setor. Em algum setor pode levar cinco, em outro, dois.
Por que o setor de bens de capital foi o que mais sofreu na indústria?
Temos uma agenda muito difícil de reforço da estrutura de capital das empresas. Precisamos recuperar primeiro o oxigênio. Esse período de desaquecimento da economia, num período mais recente, inspira que nós nos preocupemos em manter vivo o setor para que ele possa retomar o oxigênio para enfrentar o desafio. Temos uma agenda, de médio e longo prazos, de ganhar capacidade. Na agenda de curtíssimo prazo temos que assegurar a capacidade de sobrevivência da indústria. Daí porque o governo tomou uma série de medidas, que falaram que eram "medidas pontuais, determinou compras de equipamentos". O que quero dizer é que as medidas táticas têm seu valor e seu lugar, sua necessidade, não podemos descartá-las, essas medidas táticas é que permitem uma transição para sobreviver. Elas são necessárias, o que não são é suficientes.
A principal crítica não é nem sobre as medidas de curto prazo, mas a falta das de longo prazo.
Mas elas estão sendo gestadas. 
Na área tributária?

o, a área tributária é a mais difícil. Porque qualquer mexida em sistema tributário tem impacto sobre a distribuição entre esferas de governo e regiões do país. Mudanças tributárias primeiro têm um certo grau de risco. Precisaríamos estar num grau de solidez macroeconômica tal, estamos chegando perto disso, porque qualquer mudança no sistema tributário pode produzir perdas maiores do que as previstas. Um sistema mais perfeito tem de combinar uma redução paulatina da carga tributária, porque não é realista imaginar uma redução radical da carga tributária, como muitos querem. Esse é o desafio mais difícil, precisa ser amadurecido, não é apenas uma coisa de um governo, são propostas que precisam ser amplamente costuradas. Começa na sociedade e com o sistema político, porque caso contrário a chance de sucesso é pequena.
Pensando nos gargalos industriais que o sr. citou, que são a questão tributária, a da energia, eficiência, da automação, a questão de desenvolvimento de um mercado de capitais de financiamento de longo prazo. Qual deles tem mais chance de progresso?
O que tem mais chance de andar mais rápido, com a redução da taxa de juros, é o desenvolvimento financeiro, porque o nosso é sofisticado e temos estoque de poupança preexistente, em grande parte ancorado em papéis públicos que podem migrar para papéis privados. Esta é uma reforma muito relevante e pode acontecer. O outro, que está em processo de reflexão, tem a ver com os custos de energia, mas eu não posso adiantar, mas há uma reflexão a respeito e pode resultar em algum avanço importante.
No caso do custo de energia, a presidente quer uma decisão até o final do ano, é isso?
É, existe uma reflexão em nível de governo deste tema. O tema do aumento da produtividade e da competitividade é de médio e de longo prazo, mas que precisa começar e temos de impulsioná-lo. Acredito que aqui não se constrói da noite para o dia, mas temos de começar a caminhar. Temos condições de avançar em muitas cadeias importantes. Na área de óleo e gás, continuar avançando no agronegócio e na sua base industrial. Temos capacidade de revigorar a nossa indústria automotiva e agregar valor dentro dela.

Temos condição de sustentar e avançar na capacidade competitiva de vários sistemas, nos quais o Brasil ainda tem competitividade, mas tem de preservar. Falo de celulose e papel, da siderurgia. Temos que retomar nossa reflexão a respeito do nosso complexo intensivo de informação, cadeia de fornecimento em telecomunicações, em eletrônico de consumo, nós estamos trabalhando intensamente para trazer a indústria de display, que é fundamental.

Temos condições de avançar na indústria farmacêutica, que tem hoje uma nova geração de produtos de base biotecnológica. Temos que capturar essa oportunidade. Temos que avançar em toda a indústria tanto de equipamento como de consumo para construção. É uma cadeia poderosa. Temos uma oportunidade nova, com a Vale, com a obtenção do licenciamento do projeto Serra Sul, no Pará, vai agregar mais R$ 40 bi de investimentos nos próximos anos, um outro Carajás.

Então, o Brasil tem muita oportunidade e precisamos enxergá-las. Precisamos voltar a pensar a longo prazo. Se tivesse de sintetizar tudo o que estou falando, é o seguinte: o Brasil desorganizou seu modelo de crescimento, nos anos 70, porque tinha um calcanhar de aquiles, que dependia na margem intensamente de poupança externa. Esse modelo foi desarmado pela crise da dívida no início dos anos 80, jogou o ônus da dívida em cima do setor público, desorganizou as finanças públicas, deu quase hiperinflação, tivemos de suar sangue para vencer e fizemos um longo caminho de recuperar a saúde fiscal do Estado, o último ato foi recuperar solidez cambial. E, milagrosamente, conseguimos recuperar um volume de reservas internacionais, que é um colchão superimportante.

Por que o Brasil está demorando tanto a se recuperar neste ano?
Tem uma combinação de vários fatores pontuais e outros conjunturais. Primeiro, você tem a digestão do ciclo de endividamento das famílias, que não é feito da noite para o dia. Segundo, os estoques altos em vários setores. Terceiro, o setor privado é ciclotímico, ele travou um pouco o investimento. E aqui há fatores pontuais. Um pouco de perspectivas, uma visão de mais de curto prazo do setor empresarial. E, no plano do investimento público, a reorganização do Dnit, caiu um pouquinho o investimento.
Pouquinho?
Transportes está sendo recuperado. Esses fatores pontuais vão ser recuperados. Meus dados mais recentes do Finame já apontam uma recuperação na ponta.
Para quando?
Preciso ver ainda qual o ritmo disso, mas parou de cair e está embicando para cima, a venda de bens de capital na Finame. Vamos superar isso, as medidas estão tomadas.
Quando o sr. falou em dar oxigênio para a indústria, eu imaginei logo em hospital. O sr. colocaria a indústria na UTI ou numa unidade semiintensiva?
Esse negócio de hospital já não existe mais.
Mas o sr. falou que ela precisava de oxigênio para se manter viva.
Olha, o oxigênio você obtém tornando o ar mais puro e fazendo as pessoas aprenderem a respirar bem. Com aeróbica.
Então está na fase de reabilitação, fisioterapia?
Está longe [disso], tem um ou outro pequenininho na UTI ou querendo entrar, mas não estamos tendo nenhum problema. Problema eu tive em 2008 para 2009, aquilo que foi problema.
O sr. acha que tem de reduzir superávit primário para impulsionar investimento público?
Não, precisamos manter o superávit para garantir que o BC possa seguir reduzindo juros.



arte2/Editoria de Arte/Folhapress



miércoles, 29 de agosto de 2012

TASAS AL CREDITO AL CONSUMIDOR ,CREDITOS PARA LAS EMPRESAS, CAPITAL DE GIRO,INTERES TARJETAS DE CREDITOS

Queda da Selic terá pouco impacto sobre juros do crédito


A redução da taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 p.p. (ponto percentual) anunciada nesta quarta-feira (29) terá um efeito pequeno nos juros das operações de crédito para consumidores e empresas, segundo análise da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). 
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Segundo a associação, este fato ocorre uma vez que existe uma diferença "muito grande entre a taxa Selic e as taxas de juros cobradas aos consumidores que na média da pessoa física atingem 103,97% ao ano provocando uma variação de mais de 1.000% entre as duas pontas".
De acordo com as simulações feitas pela Anefac, a taxa média das operações para os consumidores, atualmente em 6,12% ao mês, deve cair apenas 0,04 p.p. (para 6,08%) com o corte anunciado.
Entre as taxas para as pessoas físicas, os juros do cartão de crédito devem cair de 10,69% ao mês para 10,65%. Assim, a utilização do rotativo sobre o valor de R$ 3.000 por 30 dias deve passar a custar R$ 319,50 de juros --ante R$ 320,70 anteriormente.
No caso dos juros para empresas, a taxa média deve cair de 3,53% para 3,49% ao mês.
Veja a possível evolução das taxas após o corte de 0,5 p.p. na Selic:

CRÉDITO AO CONSUMIDOR
Taxa média atual: 6,12% ao mês

Taxa após corte de 0,5 p.p. na Selic: 6,08% ao mês 

Juros do comércio
Taxa atual: 4,65% ao mês
Taxa após corte de 0,5 p.p. na Selic: 4,61% ao mês

Cartão de crédito

Taxa atual: 10,69% ao mês

Taxa após corte de 0,5 p.p. na Selic: 10,65% ao mês 

Cheque especial

Taxa atual: 8,07% ao mês

Taxa após corte de 0,5 p.p. na Selic: 8,03% ao mês

CDC bancos - Financiamentos de automóveis
Taxa atual: 1,80% ao mês
Taxa após corte de 0,5 p.p. na Selic: 1,76% ao mês

Empréstimo Pessoal bancos
Taxa atual: 3,57% ao mês
Taxa após corte de 0,5 p.p. na Selic: 3,53% ao mês

Empréstimo pessoal financeiras
Taxa atual: 7,92% ao mês
Taxa após corte de 0,5 p.p. na Selic: 7,88% ao mês 

CRÉDITO PARA EMPRESAS
Taxa média atual: 3,53% ao mês
Taxa após corte de 0,5 p.p. na Selic: 3,49% ao mês 

Capital de giro
Taxa atual: 1,92%
Taxa após corte de 0,5 p.p. na Selic: 1,88% ao mês 

Desconto de duplicatas 
Taxa atual: 2,62% ao mês 
Taxa após corte de 0,5 p.p. na Selic: 2,58% ao mês 

Conta Garantida
Taxa atual: 6,04%
Taxa após corte de 0,5 p.p. na Selic: 6% ao mês